Falar de amor por si só já é excitante, comentar sobre encontros, relações e peripécias sexuais, igualmente o é. Mas o dito nem sempre é verídico. Pois muitos se lamuriam constantemente de fracassos e desilusões na relação a dois, onde há tempos, amor e sexo perderam toda a sua aura romântica e plena de erotismo, transformando-se numa fatídica, quiçá, entediante e até amedrontadora experiência, para não dizermos rotina. Desejar um encontro sexual e amoroso com o parceiro, mas não conseguir levá-lo a diante em razão do temor de se expor, de se entregar - de se tornar íntimo - tem se tornado, ultimamente, uma barreira difícil de se transpor. Mas por que temer a intimidade para com o parceiro ? Por certo, muitos não saberiam o que dizer - em especial , a si próprios. Que verdade é essa que retrata de modo não sabido e obscuro tal faceta do desejo humano?
...Como entregar-me de corpo e alma na busca e conseqüente realização amorosa e sexual, se aquele cantinho ainda sombrio da alma, de modo intangível e irredutível, insiste em nada saber, em não questionar e ressignificar valores, proibições, fantasias. Que outrora foram sim entendidos (ou acatados?!) como bem-estar, um gozo pobre. Ah, como os prazeres sexuais; o acariciar; o amar eram pecaminosos!!!!! Ousar senti-los e vivenciá-los na sua plenitude, jamais, pura heresia. Tornar-se vítima de si mesmo - da própria história de vida; sufocar ainda mais o desejo e o prazer; experenciar somente os renitentes e desconhecidos sentimentos negativos de medo, vergonha e culpa? Vale a pena!? - Culpa, medo, vergonha de quem ? OU MELHOR: MEDO DE QUE!?
...O temor inconsciente do encontro sexual tende a tomar conta de nossos corpo e mente, tão logo é chegado o momento especial de se entregar e vivenciar em intensidade nossos mais íntimos e recônditos desejos e fantasias. Contudo, tamanho receio foge as raias da lógica e da racionalidade imediata, dado que, ao nível da nossa razão, não há a percepção clara de avassalador e "horripilante "medo de envolvimento. Dilema que ali se instaura, deixando rastros inoportunos que interferem impiedosamente no nosso orgasmo, excitação e desejo. Temor que, aparentemente, parece estar ligado à crença antecipatória do receio de fraquejar, de fracassar e de ter um mal-desempenho. Algo ainda não-sabido, inconsciente: (às vezes até inconsistente para muitos) o pavor, a apreensão de vir a se entregar e "perder-se" nos deliciosos sobressaltos do erotismo, do prazer sexual.
...A intimidade parece, igualmente, aterrorizante para muitos. Contribuindo para as disfunções sexuais em grau elevado. Mas vamos primeiro buscar entendê-la mais a fundo. A intimidade não deve ser somente entendida como um elo afetuoso e singular no envolvimento emocional entre duas pessoas. Ela vai além, englobando: senso de responsabilidade; cumplicidade; atenção mútua; confiança; comunicação franca de sentimentos e sensações; livre troca de idéias sobre os mais diversos acontecimentos, desejos, sonhos, expectativas.
...Diante de tais fatos e aspectos, podemos depreender a intimidade como um dos passos básicos para a felicidade, o envolvimento a dois, a estabilidade emocional e, consequentemente, para o enriquecimento das atividades e jogos sexuais . Pois quanto mais sincero, corriqueiro e saudável o grau de intimidade, mais facilmente tenderemos a conhecer e a compreender o parceiro. Evitando-se, por conseguinte, críticas gratuitas, rejeições e frustrações mútuas. A atividade sexual ganha novos ares, perdendo suas facetas de resistência, tornando-se mais aberto, até escancarado o caminho para o deleite e o prazer a dois.
...O temor da intimidade encontra-se bastante disseminado entre inúmeros de nós. Parecendo mesmo temermos mais a intimidade do que o próprio intercurso sexual. Muitos se sentem culpados e extremamente ansiosos perante a proximidade física e emocional do outro. O parceiro que deseja a intimidade busca sempre uma aproximação, ora partilhando questões emocionais e sentimentos, ora se dirigindo corporalmente. Por outro lado, aquele que teme a intimidade tenderá a se esquivar, mesmo que não se dê conta disso. UM SEMPRE INSISTINDO; O OUTRO RELUTANDO. Todavia, tão logo o distanciamento atingir determinada magnitude, a ansiedade haverá de surgir de modo muito intenso e perturbador. O grau e a duração da proximidade é variável de casal para casal. Em um grande número deles, o desejo de proximidade, intimidade e de "calor bem-humano" voltam à tona, promovendo mais dissabores, dúvidas e conflitos no segundo .
...Entretanto, nada está fadado ao eterno fracasso, a sexualidade dos parceiros /casal poderá ser melhorada com a prática e o exercício constante (mas descompromissado e tranqüilo) da intimidade física acompanhada de carícias, afetos e confidências. Buscando, paulatinamente, tornar mais elásticos os arraigados e estreitos limites do outro. Visando de modo afável e sincero, ajudar-lhe a superar suas dificuldades e bloqueios. Vale sim tentar! Se for imprescindível o processo terapêutico e ou analítico que, igualmente, o busque. Já que certos temores da esfera da intimidade são muito dificilmente acessados espontaneamente à consciência, assim como, as ansiedades de desempenho (sexual) .
...Não tenhamos pois "receio" e nem deixemos para dar aquele passo decisivo somente no dia de amanhã. Busquemos, sim, a cada momento de nossas vidas, melhor nos conhecermos, compreendermos, respeitarmos, e responsabilizarmos por nossos comportamentos e atitudes, e amarmos não só a nós próprios, mas também ao outro. Outro que nos quer e que, certamente, nele nos inserimos.

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