Muitos de nós certamente já sentimos o que é estar sozinho , sem ninguém para aquele bate papo descompromissado , para compartilhar segredos e sonhos , para viver um romance repleto de ternura e desejos , quiçá para podermos ser úteis e gentis para com esse outro que estranhamente não "está mais aqui , bem ao nosso lado ". O tempo passa , novas tecnologias vão sendo assimiladas , a sociedade de outrora não é mais a mesma . Liberdade , individualidade , isolamento paulatinamente vão devorando com voracidade a afetividade , a cumplicidade , o estar-junto . Desnudando implacavelmente a sensação e o sentimento da solidão.
... Instáveis afetiva e emocionalmente, muitos têm mergulhado num poço de insegurança - de total descrédito - deixando de se darem valor e mesmo de buscarem forças para fazer frente à solidão. Preferindo ( ou acreditando não ter outra opção ! ) o isolamento perde mais e mais terreno para a aproximação e comunicação com outrem.Tal qual, a dificuldade de expor, o medo de se abrir e de se entregar as impedem de escancarar seu lado mais humano... frágil, afetuoso e sonhador. Alguém pode estar se perguntando: "Às vezes, mesmo do lado de quem gostamos, sentimos não ser correspondidos, compreendidos e aceitos. Isso também é solidão?! " Sim, seria o que chamamos de solidão a dois, onde a presença física de outrem pouco ou nada nos diz. Todavia se deixarmos ainda mais de demostrar interesse pelos demais, possivelmente esses outros haverão, igualmente, de cruzarem nossos caminhos sem sequer nos perceber. Vale sim - desde que queiramos e nos permitamos – arriscarmos, indo ao encontro deste outro. Basta de imaginarmos só o catastrófico, de sermos rechaçados, rejeitados. Podemos e DEVEMOS SIM sermos honestos e descobrir, por conseguinte, quão prazeroso é se sentir querido e aceito. Ir ao encontro do ombro amigo jamais haverá de arrancar pedacinhos de nosso EU. Além do mais, o outro, do mesmo modo, pode estar interessado em conhecer e desfrutar de uma nova amizade para conosco, de se fazer solidário.
... Segundo estudos recentes, por volta de 40% das pessoas são acometidas de depressão e ou transtornos de ansiedade (angústia, pânico, fobias, psicossomatização, estresse), muitos dos quais estão sim correlacionados à solidão. Solidão que tem levado jovens e idosos - em situações mais patológicas - a um desespero tremendo que acabaram em auto-extermínio.
... Contudo, inúmeros também são aqueles que optam saudável e conscientemente por viverem de modo independente (livre), sozinho, sem interferências da realidade, ausente dos desgastes e desapontamentos de uma vida a dois ou "a muitos". O EU face a face consigo próprio! Fazendo do isolamento um momento especial e deveras positivo e produtivo. Destituindo-se em sua concepção - de relacionamentos superficiais e entediantes. Fazendo do isolamento, do respeito à individualidade a tão almejada liberdade de ir e vir, o prazer de ser e de estar só.
... O que então fazer senão perder o medo de viver com auto-estima, de participar, de compartilhar e de fazer ressurgir nossos mais verdadeiros sentimentos, ideais, emoções, sonhos. Viver sem culpas, de modo mais harmônico, cooparticipativo e solidário. Com um espírito aberto às suas próprias verdades e limites, ao novo, ao diferente e ao prazer de se sentir integrado. Parte sim - una e singular - deste grande outro o coletivo, o social, a própria cultura e linguagem.

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